Uma das doenças do mundo contemporâneo é o turismo desenfreado. As pessoas estão se deslocando compulsivamente. É imperativo que o tempo livre seja ocupado com muita diversão, o que inclui quase que obrigatoriamente comer, beber, comprar e viajar.

Viagens são pagas em carnês de doze parcelas. Em decorrência disto, quando chegamos a um local que imaginávamos como no cartão postal, nos deparamos com um lugar afogado numa multidão de turistas se acotovelando para tirar uma foto.

As fronteiras estão se apagando e junto com elas, algumas singularidades que eram identitárias de um povo.

Se, como diz Caetano Veloso, minha Pátria é minha língua, o idioma, reduto de identidade, é um dos pontos de identidade que estão ficando borrados, imprecisos.

A América Latina pode ser definida pelo idioma, pois é a região do continente americano que engloba os países onde são faladas, primordialmente, as línguas românicas, derivadas do latim: o espanhol, o português e o francês. Em breve esta particularidade desaparecerá, pois com o desejo e necessidade de se expressar tanto o visitante estrangeiro quanto o habitante cicerone tentam fazer-se entender e terminam por mutilar os idiomas.

Nosotros falamos portunhol é uma instalação sonora que tenta tensionar estas questões, mesclando falas em português, espanhol e chinês do Filme argentino Un Cuento Chino, de 2011, de Sebastián Borensztein, protagonizado por Ricardo Darín, Muriel Santa Ana e Ignacio Huang.

A película trata poeticamente da questão da comunicação, ou da falta dela entre um argentino e um chinês. Como são idiomas muito distintos, o obstáculo parece ser quase intransponível, mas quando se trata de português e espanhol, devido a semelhança, as pessoas se aventuram a conversar, mas o que surge é um pastiche.

A ideia é imaginar que idioma sairá desta mistura, percebendo que está surgindo uma outra identidade dentro deste caldeirão sendo mexido, que não sou eu, nem você, somos nosotros e falando portunhol.

Nosotros falamos portunhol