Ato falho é uma noção desenvolvida por Sigmund Freud para descrever a realização de um desejo do inconsciente, quando este se trai e revela suas reais intenções.

Esta é a ideia que norteia a instalação constituída por fotografias e vídeos em pequenos formatos, contendo imagens flagradas do cotidiano, em diversos lugares do mundo, sem roteiro pré-definido.

É possível perceber nas imagens o abandono, o descompasso, o exagero, a ingenuidade, o desequilíbrio, a coincidência. Cada imagem tem vida própria, se sustenta sozinha, mas no convívio com suas parceiras criam uma narrativa desconexa.

É esta ficção sem autor que eu nomeio como ato falho. Para o sujeito viver em sociedade, algumas normas são estabelecidas, cada coisa tem uma função, as pessoas, seus papéis determinados, sendo assim, tudo deveria estar funcionando bem e no seu devido lugar, mas isto não acontece. A vida comete lapsos, como se acontecesse um curto circuito na realidade.

A arte é a forma de percebermos estas brechas. A obra quer mostrar estes rasgos, por onde é possível entrever o invisível.

Ato Falho