A instalação Caminho Suave teve origem quando me deparei com a minha mãe se mudando para uma clínica especializada em idosos e eu vendo minha rotina se modificar aos sábados, dia em que a visitava em Araraquara, a 90 km de Ribeirão Preto, onde vivo e trabalho. Este caminho sendo feito todos os finais de semana colocou-me em contato com o universo de senhoras que eu não conhecia e com suas dores físicas e emocionais.
O título foi emprestado da cartilha pela qual muitos brasileiros foram alfabetizados, que ao batizar uma instalação que está versando sobre velhice, solidão e impotência traz a carga de uma falsa promessa. O título também faz referência ao meu caminho, a cada sábado, indo me encontrar com uma realidade tão distante e tão próxima.

A quantidade de imagens reflete a vida destas mulheres, que após ter suas existências tão cheias de singularidades transformadas numa vida coletiva, sem escolhas e sem cores

Tudo está em escala natural, para que o público se sinta imerso na obra. A opção pela xilogravura pareceu uma boa forma de imprimir as marcas da vida nos rostos desta mulheres.

Caminho Suave #1